Chiquita, a gata que escolheu seu mascote


Sempre houve um quintal bem grande onde estava a minha casa. A gente se esbaldava com frutas e verduras. No quintal se podia correr e brincar com espaço e sempre apreciando o céu, as nuvens,  Meu pai trouxe esses hábitos do tempo em que morava com o meu avô. 

Aos poucos a gente ia aprendendo do que gostar e como interagir com essas descobertas. Meus pais sempre foram atentos a habitos saudáveis para que pudessemos crescer aprendendo sobre o mundo, muito antes de se ver transitando nele.

E, claro, la em casa tinha cachorro, gato, papagaio, jabuti (por que não?).

Cachorro tudo bem, mas gato já era uma questão pessoal do gato mesmo. Gato sempre tem a convicção de que algum humano se tornará  o seu mascote preferido. 

À época meu pai havia nos trazido uma gatinha, ainda filhote, e coube a mim batizá-la com um  nome de menina. 

Honrado e entusiasmado com o pedido, fui recorrer aos filmes da sessão da tarde e aos desenhos animados dos quais eu era espectador cativo. Não me lembro bem como se deu mas escolhi o nome Chiquita, e ao que parece, ela gostou.

Chiquita prá ca, Chiquita prá la, entre brincadeira e susto, ela cresceu.

Eu estudava pela manhã e chegava em casa sempre antes do almoço. E numa dessas vezes ao chegar, meu pai estava em casa e me chamou assim que me viu: — “Não jogue as coisas da escola na cama que a gata deu filhotes em cima dela.”

Eu parei assustado; nunca antes havia visto um filhote de gato e ainda por cima sobre a minha cama? Fiquei parecendo um “cachorro quando cai de cima do caminhão de mudança!”

Eram pelo menos 5 ou seis filhotes e ela levantou a cabeça, me olhou e deu um miadinho baixo e acolhedor. Tive a leve impressão que ela queria que eu tocasse seus filhotes e foi o que eu fiz. Meu pai novamente: — “Pega com cuidado.”

Chiquita era uma gata com cores pretas e brancas. Era do tipo da gatinha sinuosa e magrinha. Ligeira e sempre com um olhar amigavel e não me lembro dela ficar dormindo muito nos lugares … 

Naquele dia em especial, mais uma vez, pude ouvir meu pai dizer: “A gata gosta tanto do menino, que deu a luz na cama dele!”

Mesmo hoje, daqui de onde estou, com muitas experiencias e aprendendo sobre tudo, ainda não consigo medir o tipo de carinho, afeto ou algo mais forte que havia entre ela e eu.

Mas gostei de ouvir meu pai dizer que eu tinha o coração bom que até os animais sabiam.




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