TRAPOS, LEMBRANÇAS E UMA MELODIA.
Um carro rasgou a rua em alta velocidade e, no rastro do silêncio, deixou escapar uma melodia antiga, disforme pela pressa. Se bem me lembro, repetia um refrão conhecido e apaixonado: “... aaah, … eu te amo… aaaaah… eu te amo…”; como se fosse Sidney Magal atravessando os anos para me alcançar. Aquele instante fugaz, perdido quebrando o silêncio. O ruído do motor e o sopro da lembrança, abriram uma fresta no tempo: de repente não era mais a manhã de hoje, mas os idos de outrora, quando canções de amores exagerados embalavam os sonhos juvenis e o mundo parecia caber dentro de um refrão. Abaixei a cabeça no instante em que um leve flashback me atravessou. Do passado, fui puxado para o presente por aquilo que vi: uma pessoa passou mancando em minha frente, trazendo no rosto as marcas de uma vida cansada. A roupa mal passada, pendia sobre o corpo como um pano em trapos recorrentes. Cada vez que arrastava uma das pernas, o rosto se repuxava em dor, como se ca...