A saudade nos conhece.

 A saudade não  tem hora marcada.

Ela invade como quem conhece a casa.

abre portas que eu nem lembrava ter trancado.


Surge no cheiro do café.

numa música que toca sem querer.

num silêncio que grita mais alto que o mundo.


E quando ela me leva de volta, 

não é para reviver — 

é para me lembrar que o tempo não volta,

mas o sentimento nunca vai embora.


Há dias que a saudade não é visita,

é moradora.

Ela se senta ao meu lado, 

me mostra cenas antigas,

e pergunta, sem dizer nada: 

“Você ainda se lembra, não é mesmo?”


E eu sinto.

Mesmo sabendo que não posso tocar,

refazer, reviver… recomeçar.

Só lembrar. E continuar..

Seguindo em frente.


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