Deus ainda fala
Houve um tempo em que o mundo foi deixado bem longe e era um sussurro distante, em que o peso dos dias me forçava a dobrar meus joelhos sem que houvesse nenhum tipo de amparo ou fé para sustentá-los.
Eu caminhava em meio a fugas e entre sombras sem nome, onde a luz do dia era vazia e sem brilho, e tornava a casa, onde o silêncio não era descanso, era um grito constante e socorro agudo dentro de mim..
Mas foi ali, no chão frio e carcomido da minha própria ruína, que um anjo de Deus me encontrou. Não veio com trovões ou trombetas, não sacudiu montanhas, não exigiu que eu fosse forte e nem sequer um miserável rastejando; apenas permaneceu.
No respiro frágil e confuso da oração, aprendi que Ele sempre esteve esperando que meu coração cansado se voltasse para Seu abraço.
Certa vez no primeiro aniversário contemplando o vazio da casa e do lugar; presunçoso, abri 3 cadeiras à mesa e os convidei. Sim, convidei a Santa Trindade, e pude com eles cantar e celebrar minha passagem de ano. Na época me pareceu de certa forma tresloucado e desesperado, mas foi bom ficar extenuado e vulnerável. Não havia ninguém para convidar que estivesse proximo (não havia segurança à minha volta) e ninguém para contar sobre tais presenças daquele calibre.
E então, veio o consolo. Não aquele que apaga cicatrizes, mas o que dá sentido a elas. O Espírito Santo não falou sobre esquecer, falou sobre transformar, sobre reconstruir onde a distração e a falta de sabedoria destruiu.
Hoje, sou testemunha de que a dor não foi meu fim, mas meu início. E cada lágrima caída se tornou o altar onde aprendi que a vida é o sopro dado por Deus, e nunca haverá vento forte o suficiente para apagar Sua voz dentro de mim.
Por: Edson Léa
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