Ainda há mais

 Do Abismo à Luz

não  rasguei meu  véu do silêncio, onde as sombras sussurravam promessas vazias, onde o peso pontual do mundo afundava meu peito e a esperança parecia um luz inatingivel.

Mas então, no mais profundo suspiro, onde o tempo se desfez aos gritos e se deixou acompanhar enquanto se transubstanciava  em pó, o  Deus criador dos céus e da terra  me encontrou;  não em ruídos ou grandes sinais, mas na ternura de Sua voz invisível, dentro de mim.

Ele segurou minhas mãos trêmulas e , tocou minhas feridas sem pressa, e soprou dentro de  mim o fôlego que eu já não tinha. Extraiu o coração quase todo necrosado e pelo  consolo do Espírito Santo, fui costurado de volta à vida, não pela força dos homens, mas pela graça que sussurra: "Ainda há mais para você."

Nas sábias palavras do Evangelho, enquanto delas me abastecia não encontrei julgamentos, mas um convite para voltar ao que sempre fui: um filho amado, um peregrino que, enfim, compreendeu que a escuridão nunca foi o destino, mas um portal para a luz.

Hoje, sou mais atento. Não porque o mundo me tornou assim, mas porque Deus me ensinou que Sua presença não se encontra nos ruídos confusos das vozes desassossegadas, mas na oração que nasce do coração partido, numa certeza de que nunca estive só, mesmo estando ladeado de corações pseudoaltruistas e ácidos; sedentos por mais uma crucificação e sem esquecer, obviamente,  de emitir o o recibo por todas as "boas ações" praticadas.


Por: Edson Léa.


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