O PESO DOS PEQUENOS DETALHES
E assim, se foi meu relacionamento:seu início foi marcado com um brilho que, logo ficou ofuscado pela falta de … postura.
Na metade ele foi se desmontando gradativamente e com uma constância que me deixava desconfortável.
Seu fim chegou porque tudo estava incrivelmente desbotado e sem ânimo.
Era como vestir aquela camisa azul de seda que já não reluzia.
No começo, ela me fazia sentir completo, elegante, admirado.
Mas com o tempo, cada detalhe se tornava um peso:
a poeira que insistia em se fixar, a cor que se apagava a cada lavagem, os olhares que já não viam encanto,
apenas defeitos e sombras.
Com ela, a pessoa que eu amava, foi igual.
A fragilidade da postura,
a falta de elegância em me acompanhar,
os comentários alheios que apontavam falhas que eu já não conseguia esconder.
já havia remendado por duas ou três vezes as falhas motivadas por flagrante desvio de caráter,
como quem insiste em costurar uma seda que não suporta remendo. Entretanto, cada tentativa deixava marcas,
cicatrizes visíveis, que só reforçavam o desgaste.
Eu poderia ter continuado, poderia ter aceitado o desbotar e seguido ao lado dela,
como quem insiste em usar uma peça antiga. Mas não era apenas sobre estar junto,
era sobre não me sentir um completo fracassado.
E quando o brilho se apaga, não é só da seda ou da pessoa. É também o desejo de permanecer.
Foi nesse silêncio, nesse desbotar sem retorno, que percebi: algumas coisas não se perdem de repente,
elas se desfazem assumindo um formato deformado pouco a pouco, até que não resta mais vontade de vesti-las.
E então compreendi: não é o fim que dói, é o constrangimento de carregar algo que já não tem brilho.
Algo que não fazia mais questão de brilhar.
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