MEDOS INVISÍVEIS
Há dias em que os medos parecem se infiltrar em cada fresta da vida.
Não são apenas os grandes temores, aqueles que se anunciam com estrondo, mas os pequenos, silenciosos,
que se instalam sem pedir licença. O medo de olhar para a “floresta virgem” e não saber o que há além das árvores. O medo de adentrar uma caverna desconhecida, sem fundo nem origem. O medo de perguntar o que não se deve; de olhar para a direção errada e avistar o que não era para ser visto.
De sonhar e acordar arrebentado em algum lugar escuro e esquecido como uma bituca de cigarro jogada na sarjeta.
Esses medos não se dissipam com o tempo. Pelo contrário, crescem à medida que os encontros se tornam mais constantes. Medo de não compreender os pensamentos mais profundos da companheira amada. Medo do silêncio que se esconde atrás das experiências carnais. Medo da frustração disfarçada em beijos apressados. Medo de buscar socorro e encontrar apenas despreparo diante da verdade.
E há também o medo cotidiano, quase invisível: o medo de não perceber um sinal diferente na aparência de uma criança. O medo de aceitar cada mentira com uma normalidade fria, só para não ficar sozinho.
Porque, no fundo, talvez o maior medo seja esse: o da solidão. Vivemos cercados de dúvidas e receios, mas seguimos acostumados sem esse desconforto.
Aceitamos… fingimos, nos adaptamos. E, entre um medo e outro, vamos construindo nossa rotina, como quem aprende a caminhar em terreno instável.
Talvez seja isso que nos torna humanos: não a ausência de medo, mas a coragem
silenciosa de continuar enfrentando cada desafio apesar dele.
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