Palavras, palavras e engôdo.

    Hum, a mesma repetitiva e convincente balela. Sempre ela; dizendo o que poderá ser feito quando isso ou aquilo ja esteja "realizado". Manipulando as expectativas e colocando a tarja preta nos olhos para que não se possa em hipótese alguma avaliar o todo, e sim, apenas o momento singular da conquista.
    Bandeiras trêmulando com a sigla dos partidos, santinhos (até parece que as fotos que ostentam esses panfletos são de santos... Antes fossem), tapinhas nos ombros e sorrisos generosos.Visitação constante nas moradias mais humildes. Total atenção aos problemas domésticos e comunitários. Sobra tempo até, para uma ligação para alguma pessoa importante que possa solucionar o problema da falta do gás de cozinha, da lâmpada e do caminhão pipa.  Promessas desesperadas que justificam os deslizes anteriores. Cores que tentam seduzir o olhar indignado e descrênte dos expectadores... E, palavras... Palavras e mais palavras. Todas vazias e sem formato que se possa materializar. São poesias de um pagão que num momento de tragicomédia tenta invocar os deuses da loucura, descaso, frustração, ironia e talvez o deus do "jeitinho brasileiro"; para  resolver os embates constitucionais.
    São feitos de ganância, luxúria, oportunismo, mentiras, especiosidade e sagases. Experimentados no blefe e na dissimulação. Todos com prima oratória, e expressões faciais que alcançam o status teatral. São uns atores, que gradativamente vão corrompendo a ideia altruísta de formar uma comunidade com pessoas satisfeitas, protegidas e deliberadamente transformam-nas em cidadãos abandonados, esquecidos, sem valor e desprovidos de recursos cívicos para exigirem seus direitos. Se tornarão novamente, almas esquecidas num inferno contemporâneo e cheio de predadores insaciáveis, que se mascaram atrás da palavra: "agora chegou a nossa vez". Muitos tipos assim ja foram vistos; com varias cores em suas peles, e varias expressões em seus rostos. Varios sorrisos (e nesse quesito, sorrisos são importantissimos: um para cada tipo de intenção), palavras que compunham frases que tinham a proposta de fazer com que a estatua do cristo redentor, ainda pudesse com seus braços, abraçar a todos. Palavra com o poder de materializar milagre! E por fim, se viu para onde vai a dignidade de pessoas que apenas querem poder; desse do tipo primitivo: que promete e não cumpre, mas que dia após dia transforma o singular e anônimo, em alguém com status quo (ao menos nos anos de posse). O mesmo mal dissimulado, trambriqueiro, falastrão, covarde, oportunista que dá aquilo que não possui, aquilo que não tem.
    Poder... Não se importam com a verdade dos fatos, e sim em "tomar conta do peixe". Arrastam pela sinergia uma legião de "vampiros", parasitas e mesquinhos, que chegam a se sentir mais ou muito mais que o lider dissimulado. São pessoas que possuem rg, e cpf.; sabem atravessar uma rua movimentada e não rasgam dinheiro. Talvez por isso, quando puderem cair, cairão para cima. E sempre sobre os inúmeros e incontáveis cardumes de peixes cegos, que por tradição histórica, sempre mordem o mesmo anzol.

Edson Mendonça

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